Eu tenho um problema recorrente: aprendo alguma coisa, resolvo algum problema, encontro uma solução e, três meses depois, já não lembro como cheguei ali.

Já perdi a conta de quantas vezes reabri um servidor e fiquei olhando para uma configuração pensando: “Quem foi que fez isso?” Era eu. Só que eu não tinha deixado nenhuma anotação.

Escrever para lembrar e entender

Escrever é uma forma de memória externa. Um texto sobre um projeto é uma maneira de conversar com a minha versão futura, aquela que vai precisar mexer nisso de novo sem lembrar exatamente como tudo foi feito.

Mas escrever tem um efeito ainda melhor: me obriga a entender de verdade. É possível fazer algo funcionar sem compreender completamente como funciona. Explicar é outra história. Quando tento colocar uma experiência em palavras, os buracos no meu raciocínio aparecem.

Devolver o que aprendi

Muita coisa que sei hoje veio de alguém que se deu ao trabalho de escrever. Um post obscuro em um blog abandonado. Uma resposta detalhada em um fórum. Um README que explicava não apenas como fazer, mas também por que fazer daquela maneira.

Nenhuma dessas pessoas me conhecia. Mesmo assim, muitas delas já salvaram meus fins de semana.

Este site é uma forma de devolver isso.

Quero que o conhecimento continue circulando. Aquilo que aprendi pode talvez economizar algumas horas de outra pessoa, ajudar alguém a entender um problema ou simplesmente servir como ponto de partida para uma nova tentativa.

O que vai ter aqui

Coisas técnicas: homelab, automação, self-hosting, infraestrutura e o que eu estiver construindo no momento. Coisas de oficina: madeira, metal, eletrônica. E reflexões, quando uma experiência pedir mais do que um passo a passo.

Não quero separar essas coisas em dois sites. A pessoa que solda uma placa é a mesma que configura um proxy reverso. As ferramentas são diferentes, mas muitas das lições são parecidas: paciência, organização, experimentação e a importância de entender antes de fazer.

Sobre publicar antes de ter certeza

Meu maior desafio como construtor é o hiperfoco. Sou capaz de estudar um assunto por semanas antes de escrever a primeira linha, refinando um plano que ainda não sobreviveu ao contato com a realidade.

Por isso, adotei uma regra: cada texto aqui declara seu estágio de maturidade. Rascunho, em desenvolvimento, testado ou consolidado.

Na prática, um texto marcado como rascunho pode estar errado. Um texto marcado como testado funcionou aqui, na minha máquina e nas minhas condições. Nenhum deles é uma verdade absoluta. São apenas registros honestos de onde eu estava quando escrevi.

Prefiro publicar cedo e corrigir depois. Errar pequeno é infinitamente melhor que planejar infinitamente.

Um texto imperfeito publicado ensina mais do que um texto perfeito que nunca sai da pasta de rascunhos.

O que eu espero

Não espero audiência. Espero que, daqui a alguns anos, exista aqui um acervo que mostre como eu pensava, o que construí, o que aprendi e como fui mudando de ideia.

E se, no caminho, alguém abrir uma dessas páginas às duas da manhã tentando resolver o mesmo problema que eu resolvi e conseguir, então valeu cada parágrafo.

Quando um ensina, dois aprendem.